Esquecimento. Não atualizar o blog por muito tempo dá nisso. Não fossem pelas fotos, eu teria esquecido que visitei Bern com o Fujii. Pegamos um caminho não-ideal que nos fez parar numa parte bem residencial e pacata da cidade, sem uma alma penada, separada do centro apenas por uma... ponte de no mínimo uns 80m. Mapas sem indicação de altitude também dão nisso.
Depois de jantar um tipico rösti bernês (?), pegamos o trem para a parada alpina da viagem, Interlaken. Chegamos na estação perto das 21h sem saber direito como chegar em 16 Alpenstrasse, local do nosso albergue em potencial (o qual descobrimos horas antes num cybercafé). Uma moça muito simpática do único bar (e lugar) aberto da cidade teve a bondade de nos explicar detalhadamente, desenhando um mapa com pontos de referência e tudo, a localização do nosso abrigo pretendido. Mesmo assim, conseguimos nos perder um pouco e só chegamos no albergue perto das 22h. Eis que quando estávamos tocando a campainha, a recepcionista que fazia o check-in estava indo embora!
*Momento a ser lembrado tamanha a sorte que tivemos*
Por uma questão de segundos, conseguimos nos alojar num albergue superbacana, com café da manhã all-you-can-eat incluso e canivetes suíços com desconto pra estudantes (comprei um modesto Spartan).
Prosseguindo, naquela manhã de domingo, partimos de Interlaken em direção ao ponto mais próximo que poderíamos chegar com pouco dinheiro de Jungfrau, a estação de trem mais alta da Europa, a 3454m.
Doce ilusão. Não querendo pagar mais de 100€ pra chegar até lá, fomos até Lauterbrunnen de trem, depois ônibus até o teleférico que nos levaria a Gimmelwald a alguns 900m de altitude. Não parece muito, mas você precisa ver o penhasco que separa as duas cidades! Rendeu boas fotos e reflexões sobre o cotidiano das pessoas que moram nesse lugar tão isolado e hostil todos os dias.
Já era tarde quando chegamos em Lausanne (obs: pegar o trajeto Interlaken-Lausanne passando pelo lago Thun, belas paisagens!). Que cidade chata de andar! Tem tantas subidas quanto Perdizes. Infelizmente, não deu pra visitar muito bem, culpa da falta de tempo e do mapa da cidade, mal explicativo. Apesar de tudo, parece uma cidade interessante, bem mais 'francesa' que as outras cidades que visitamos, como percebido pelo Fujii. Prédios imponentes e de arquitetura clássica, mais trabalhada, mais lixo no chão, mais gente estranha, do tipo que você se sente menos seguro na rua...
19h45 era a hora dos nossos trens, o meu pra Genève depois Lyon, o do Fujii pra Zurich depois Baden. Fiquei 20 minutos em Genève, tempo suficiente só pra tirar uma foto da gare. Cheguei em Lyon tarde, mas mesmo assim fui muito bem recebido na gare pelo grande Bernardo! A segunda foi só pra descansar mesmo: não visitei Lyon (o que faria dias depois mais uma vez com o Fujii, mas essa historia fica pra outra vez), mas sim a Ecole Centrale de lá, o RU, revi velhos amigos de Vichy e ainda assisti uma aula de Sociologia das Organizações (que eu já tive em Lille) num amphi. Aula em amphi era algo que eu não assistia fazia alguns meses... foi pela curiosidade mesmo! Aliás, a aula não foi ruim, o professor era meio louco mas a matéria era interessante, sobre a influência do stress no cotidiano.
Só pra deixar o gostinho, em breve o viagem de um dia a Montbéliard, a Páscoa de carro pela França com o Fujii e a semana esquiando em Val Thorens (ainda to com uma baita marca bronzeada com o contorno do óculos pra neve...)
Bom, está tarde e amanhã tenho que gerar meia-dúzia de pilotos de balão, uma dúzia de jornalistas, mandar uma quinzena de e-mails, postular pra estagio, dissertar sobre as características de um motor de moto e tudo isso tentando não enlouquecer.
Até.
segunda-feira, 27 de abril de 2009
Suiça II
terça-feira, 7 de abril de 2009
Suiça I
Alguns dias depois da viagem pra Nantes ( = dias de loucura com provas, reuniões do Montgolfiades e devaneios neste mesmo blog), mais precisamente logo depois da prova de Machines Hydrauliques na sexta de manhã, era a vez de fazer um passeio intensivo e maluco com o Fujii!
Fui pra Bruxelas pegar um ônibus noturno pra Basel, Suíça. Acho que é a primeira vez que pego um ônibus noturno na Europa. Não difere muito dos ônibus "diurnos", tirando o fato de os bancos serem incrivelmente espaçosos e reclináveis. Soma-se isso ao fato de o ônibus estar bem vazio, então não atrapalhava ninguém deitar o banco no máximo e botar os pés na cabeceira do assento da frente (visualizem a posição...). Mesmo assim, não é o lugar ideal pra dormir (as pernas formigam com os pés pra cima), principalmente quando o ônibus é parado pela alfândega às 3 horas da manhã (até agora não sei, mas suponho que estávamos em Luxemburgo indo pra França). Além disso, as paradas começaram às 5h30, em Strasbourg. Depois disso, não consegui mais dormir.
Enfim, cheguei em Basel às 7h30. Não tinha pesquisado nada sobre as cidades que ia visitar, não tive tempo. Aliás, fomos descobrindo as cidades que visitaríamos on demand, mais detalhes em seguida. Fiz então o plano básico (para os momentos em que você chega numa cidade que não conhece e não tem intenção de ficar muito tempo). Peguem suas canetas e tomem nota:
1) Encontre o Tourist Information (supostamente você chegou de trem, o "i" deve estar por perto).
2) Encontrando o "i", peça (ou pague por) um mapa da cidade. Olhe rapidamente os diversos folhetos disponíveis e procure por informações sobre pontos turísticos. Atenção a dias e horas de abertura e fechamento, distâncias e curiosidades. Lugares curiosos são os mais legais. Uma praça ou uma igreja só são interessantes se elas tiveram uma historia intrigante.
3) A partir das informações recolhidas anteriormente, faça um roteiro, preferencialmente circular (da gare até a gare). Problema eventualmente encontrado (especialmente na Suiça): os mapas não tem indicação de altitude, logo um trajeto curto pode ser potencialmente bem cansativo num relevo acidentado!
4) Tire muitas fotos. Como é uma visita rápida, às vezes fica difícil se lembrar de ter passado por certos lugares. As fotos ajudam a "remontar a história".
Bom, foi isso que eu fiz. Resultado: cidade visitada em 1h30. Até peguei o trem antes do previsto. Impressões: cidade com estilo bem antigo, "medieval". As ruas são simpáticas, lembram um pouco Lille, mas a vida por lá parece ser pacata demais. Não me atraiu muito.
Em seguida, Baden, cidade principal da "metrópole" onde o Fujii mora! Em algumas palavras: uma ponte, um rochedo, um relógio sem ponteiro, Alstom, 16000 habitantes. Mesmo assim tem 1 McDonalds, 1 Burger King e uma estação de trem com 2 supermercados, quase tão equipada quanto um Iguatemi, dadas as devidas proporções. Bem-vindo ao primeiro mundo!
Zurich é feia pra caramba como cidade, só tem prédio cinza e umas igrejinhas sem graça. Não sei por que as pessoas mais ricas do mundo moram ali. Chega a ser vergonhoso comparar a Oscar Freire a Bahnhofstrasse. A loja mais pobre dessa rua seria a loja mais chique de São Paulo. Mercedes, Ferraris, Lamborghinis trafegam serenamente a cada farol. Foi difícil encontrar um humilde Corsa nessa cidade! Revoltados (inconscientemente) com essa perfeição, colaboramos com a poluição do lago de Zurich deixando cair acidentalmente nossos guardanapos de bratwurst de 8 CHF.
Ainda estamos em torno das 15h de sábado quando partimos à Bern, etapa fim de tarde/manifestação comunista(?)/ponte mega-alta da viagem.
Ufa, tá ficando longo e tenho coisa pra fazer, aguardem a segunda parte!
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