Aproveitando esse dia de calor insuportável (sensação térmica de 42°C) em que eu só vou sair daqui do albergue no fim da tarde, queria destacar um fato, ou melhor, um estabelecimento que muito me surpreendeu aqui nas terras nipônicas: as lojas de 100 (ou 99) yen.
100 yens equivalem atualmente a mais ou menos R$1,50 , US$ 0,95 ou 0,65 €. E com 100 yen você pode comprar: 250g de arroz pra microondas, 200g de curry pré-cozido, 1 cup noodles, uma marmita pequena de sushis, 1 pacote de KitKat, uma barra de chocolate Nestlé, 1 garrafa de 600ml de Coca, 1L de suco de maçã ou laranja 100% natural, 1 tubo de Pringles, 1 toalha, 1 bússola, 1 tesoura de unha, fones de ouvido, 1 panela pequena, 1 pacote de CD-Rs, 1 pasta-arquivo, luvas de borracha, creme de barbear, 1L de butano, enfim, a lista não tem fim. Basicamente, você consegue comprar praticamente tudo o que precisa na vida a 100 yen cada.
Além de AllStars originais a 20 reais, mochila da Puma a 10 dólares e flash drives portáteis de 80GB a 80 euros.
E vivo num albergue em Kyoto a menos de 7 euros por dia com Internet banda larga ilimitada (mais barata que a minha residência na França com ajuda do governo!) e vou me mudar para um em Tokyo a 13 euros com wi-fi, aluguel de DVD grátis e bebidas à vontade.
Tudo bem, o transporte ainda é caro (2h30 de Shinkansen = TGV japonês custam 100€) e se você viver aqui, vai ter que trabalhar MUITO. Só estou dizendo que não parece ser difícil sobreviver por aqui se você procurar os caminhos mais econômicos.
E me arrependo de não ter trazido uma mala vazia pra poder trazer tudo isso pra França!!
sexta-feira, 15 de agosto de 2008
Japão, caro?
segunda-feira, 11 de agosto de 2008
A vida em Kyoto
O tempo passa muito rápido aqui! Sinceramente, não sinto que passou mais de uma semana desde que cheguei em Kyoto. Diferentemente das cidades européias, onde dá pra fazer aqueles passeios de um dia e você conhece a cidade inteira, as cidades do Japão são tão absurdamente extensas e conurbadas umas nas outras que é impossível você dizer que conheceu uma cidade em um dia.
Ainda por cima, praticamente a cidade inteira de Kyoto é considerada tesouro nacional do Japão pela quantidade absurda de (enormes) templos e construções imperiais (Kyoto foi capital do Japão por mais de um milênio, antes de Tokyo). É tanto templo e jardim que, por mais lindo que seja, uma hora cansa.
Não me cansou ainda porque mal conheci a cidade. Visitei 2 templos dos 2000 que existem em Kyoto, e dos quais 17 são considerados patrimônio cultural mundial pela UNESCO. Bom, tenho 2 semanas pela frente pra isso. E pra conhecer Osaka, o parque da Universal, e talvez Nagoya. Depois (dia 24) vou pra Tokyo!
Na verdade, não passei muito tempo em Kyoto. Nos primeiros dias, viajei com uns recém-conhecidos franceses, americanos, canadenses e japoneses pela região: a histórica Nara, capital do Japão antes de Kyoto, ou seja, antes do século 8; o Lago Biwa - o maior do Japão; Himeji, que tem o considerado melhor castelo do Japão; Akashi, Greenwich japonesa; a ilha de Awaji, "origem do Japão"; a ponte de Akashi, maior ponte suspensa do mundo; a pacata Kakogawa e a moderna portuária cidade de Kobe, de onde partiu o primeiro navio de japoneses rumo ao Brasil, o Kasato Maru. Enfim, até que eu fiz bastante coisa, vai. Mas não me pareceu tanto.
Bom, vou tentar aproveitar o máximo daqui, afinal, sei lá eu se ou quando vou poder voltar.
terça-feira, 5 de agosto de 2008
Um mês depois...
Muita coisa aconteceu. Estou aproveitando esse dia que eu me dei de descanso pra resumir as ultimas noticias.
Primeiro, viagem com papai, mamãe e irmã correu tudo bem, tudo dentro da margem prevista de gastos, passeios e dor nas pernas, tirando talvez uma injusta multa de pedágio, mas tudo bem. Sem muito o que comentar, assuntos pessoais, o importante é que no final todo mundo gostou da viagem!
Em seguida, a viagem pro Japão. Num tive muito tempo pra arrumar as malas e tava super cansado mas até agora não tem nada em especial que eu ache que tenha esquecido... acho que estou me acostumando a fazer malas pra viagem. O voo foi tranquilo, apesar de estranhamente meia hora atrasado, considerando que era um voo de companhia japonesa. O mais engraçado é que eles já tem um portão de embarque especifico no aeroporto de Paris, e as mensagens de aviso do tipo "embarque em 30 minutos no portão 12" eram faladas só em japonês! Pro pessoal já se sentir no Japão... ou no Brasil, porque havia muitos brasileiros no voo: sentaram 3 do meu lado, 3 na minha frente e mais uns 6 alguns assentos atrás de mim.
Bom, enfim, miraculosamente consegui pegar todos os trens certos e no horário de Narita até Matsumoto, onde eu dormi uma noite antes de ir pra Hakuba. Deu tempo só de dar uma passadinha em frente ao castelo de lá. O que mais me surpreendeu até agora foi o céu, que é menos azul não sei porque, e o calor umido, que deixa o ar aqui pesado e sufocante.
Cheguei em Hakuba, cidade montanhosa, super famosa pelas estações de ski (sediou muitas das provas dos jogos de inverno de Nagano 1998) cheia de chalezinhos estilo europeu. São os alpes japoneses, ou a Campos do Jordão do Japão. Até o meu novo lar temporário foram 45 minutos de subida à pé com uma mala de 25kg na mão e outra de 10 nas costas sob o sol de meio-dia e 35°C, o que explica a camisa suada das fotos.
A casa (que era ao mesmo tempo um albergue, na verdade) era bem confortável, apesar de desorganizada: a cozinha era cheia de latas de cerveja e brinquedos pelo chão (eles têm 2 filhos pequenos, a mais nova hiperfofinha e o mais velho uma das crianças mais pentelhas que eu já conheci).
Bom, tcho resumir melhor porque isso tá virando novela: os 2 primeiros dias foram tranqüilos, os donos foram supergentis e etc, mas a partir do terceiro dia até o ultimo que eu fiquei lá eles ficaram cada vez mais ranzinzas até eu não aguentar mais as agressões (verbais, e uma vez física, mas não aquela coisa que deixou cicatriz nem nada, soh uma pratada na barriga) e humilhações que eu sofria e decidir ir embora.
Trabalhava geralmente entre as 10h30 e as 15 horas (e 2 vezes também entre as 18h e as 21h30) todos os dias incluindo sábado e domingo fazendo todo tipo de trabalho: lavando louça, servindo e arrumando as mesas do restaurante, arrumando a casa, limpando quartos e banheiros, empilhando pedaços de madeira pro inverno, cortando a grama do quintal com uma maquininha parecida com um barbeador, entre outros. Tudo isso sem esperar ganhar um tostão no final, apenas o direito de dormir e comer. Confesso que na maior parte do tempo o trabalho não era extasiante, e as refeições apesar de não serem fartas eram relativamente boas. Eu até aceitaria tudo isso não fossem as provocações e insultos verbais que eu sofria nesse período e que me deixavam extremamente estressado durante o dia inteiro.
Enfim, cheguei num sábado e fui embora no domingo seguinte, meio que de repente mesmo. Peguei o primeiro trem que saía de Hakuba em direção à Kyoto, onde eu estou agora. Estou num albergue baratinho, limpo, mas meio medonho, daqueles que você tem certeza que a fiscalização vai fechar se um dia eles passarem aqui. Mas eu tenho Internet ilimitada, e isso é um bom avanço!
Agora vou tentar aproveitar o tempo por aqui, passeando mesmo, conhecendo novas pessoas com o mínimo de gastos possível. To num dormitório com um americano e um canadense super legais, o que tá ressuscitando meu inglês, tem uns colegas de Lille pra não me esquecer do francês, e todo o resto do mundo à minha volta é em japonês! Voilà uma verdadeira imersão cultural e lingüistica!
O meu único (mas considerável) problema é a possibilidade latente de eu ser deportado do Japão, uma vez que não estou seguindo mais o itinerário previsto e graças ao qual me deram o visto. Além disso, meus responsáveis no Japão, a família de Hakuba, me odeiam (é recíproco), podem prestar queixa ao serviço de imigração e posso até virar procurado pela polícia. Que encrenca, né? Eu definitivamente não tenho sorte com familles d'accueil (relembrando o saudoso caso de Mme. Sarron em Vichy, coincidentemente há exato 1 ano atràs).
Mas quem esperava que esse duplo diploma desse tantas aventuras, hein?
