quarta-feira, 27 de maio de 2009

Respostas

Terça-feira, dia 26 de maio de 2009 foi um dia feliz.

De manhã, apresentação (quase) final do projeto Formulille. Deu tudo certo, o júri ficou bem contente! Devemos nos apresentar ao júri de felicitações (15 finalistas) na quinta!

Consegui meu estágio!!! Na GE, não no Haiti, mas na periferia de Paris, mesmo. Não exatamente em mecânica, mas em um projeto de implementação mundial de um novo sistema de dados pro setor de Healthcare. Meu problema: conseguir a aprovação da école daqui e da Poli, arrumar tudo e sair daqui em 5 dias e encontrar um lugar pra morar na grande Paris até a semana que vem, quando começa meu estágio. A correira não acaba!

Por isso, estou sem muito tempo pra escrever, agora estou desesperadamente tentando achar um lugar pra morar! A proposito, talvez não terei acesso à Internet muito facilmente nos proximos dias (semanas? meses?), então, deixo um até breve como garantia!

domingo, 24 de maio de 2009

Maio

O mês nem acabou, mas vai ficar pra história. Já estava escrito desde que cheguei na França há 1 ano e 11 meses: maio é o último mês de Centrale Lille. Adeus, curso! (mas até logo, provas!) Adeus, professores! Adeus, colegas do grupo H! Adeus, turma de japonês! Adeus, Montgolfiades! Adeus, Formulille! Adeus, apartamento! Adeus, estrangeiros! Adeus, brasileiros!

Ou será que não?

Maio tem sido um mês de incertezas. Começando pelo evento do ano, les 21èmes Montgolfiades Centrale Lille. Teremos dinheiro? Teremos pessoas? Teremos balões no céu? Até o dia 8, o tempo se mostrava bem instável. Mesmo assim fizemos tudo como planejado...

Planejado?

As 230 barreiras para separar o público da área de voo não tinham sido montadas pela prefeitura, o Renault Master (furgão que o grêmio da escola empresta) não tinha sido reservado pra nós por causa da campanha de eleição da nova atlética na mesma semana, o prefeito não tinha recebido convite pro cocktail feito para ele no sábado à tarde, os geradores de eletricidade não eram suficientes para todas as animações, etc...
Eramos 13 (mais a ajuda de alguns colegas da escola) a montar 7 tendas, organizar um banquete para 80 pessoas, coordenar o estacionamento e a circulação de no mínimo 10000 pessoas esperadas, entre outros.
Poderia ficar horas descrevendo todos os detalhes deste que provavelmente foi e continuará sendo o maior evento que eu irei presidir, mas prefiro resumir esse fim-de-semana louco em alguns fatos, como:
- dirigi vários furgões (Renault, Mercedes-Benz, Fiat), entre eles um mini caminhão frigorífico, além de um Ford Escort. Mais de 250km percorridos em um fim-de-semana. Bati num poste com um deles, o Renault, de ré a 5km/h. Não fez nada no furgão, mas entortei um pouquinho o poste... =p;
- carreguei a dois (merci Karthik!) 5 geradores à gasolina de 60kg cada um, uma tenda de 60m², 200 pratos, 600 talheres, 400 copos, 25 mesas, 100 cadeiras, tudo isso em 3 horas;
- dormi num caminhão de gaz propano;
- dormi entre as 2h30 e as 4h30 todas as noites entre sexta e segunda;
- voei de novo de balão, com o mesmo piloto do ano passado, dessa vez com uma aterrissagem emocionante, enroscando numa árvore e caindo no chão a 3m/s (pense numa queda de 3m em um segundo);
- o tempo nos permitiu realizar 3 vôos (sábado de manhã e à noite, domingo de manhã), um espetáculo de som e luz e um enchimento de balão (domingo à noite). Fizemos voar 75 pessoas.
- fui entrevistado 3 vezes, uma ao vivo pela rádio local e outras pelos jornais da região, onde tivemos uma edição especial de 2 páginas.
- perdi 4kg em 4 dias.
- estamos em déficit de quase 4000€ nas contas, por enquanto, mas conseguimos alguns novos patrocinadores que deverão cobrir o buraco.

Mas o evento não acabou: precisaríamos repassar todos os nossos conhecimentos e experiências aos nossos sucessores! Já fiz 3 horas de formação ao meu sucessor. Não foi suficiente.

Obrigado a toda a equipe que me ajudou e boa sorte aos próximos!

---

Nesse meio tempo, consegui enviar algumas candidaturas pela Internet (malditos formulários gigantescos dos sites das empresas pra poder se candidatar!). Até agora tive 3 respostas:
- ABB, em pesquisa de trilhos a baixa temperatura, na Suiça. Ainda por cima em Baden, terra do Fujii!
- Nissan Europe, como assistente-chefe em After Sales Engineering. Na periferia de Paris (bem periferia, 2 horas de trem+ônibus do centro de Paris).
- General Electric, numa missão desconhecida como chefe de projeto no Haiti.

Estou aguardando resposta. Se não tiver nada até o começo de junho, serei obrigado a pegar qualquer coisa. Qualquer coisa = estagio não-remunerado num laboratório da Centrale!! Não!!!

Colocarei num outro tópico minhas aventuras na procura de estágio.

---

Desde março, 5 japoneses da região de Aomori freqüentaram as aulas de japonês às segundas e quartas-feiras à noite. Comecei a ir nas aulas de quarta (Japonês 3), visto que a professora era japonesa e a aula acabava sendo mais desafiadora que a de japonês 5. Otto-kun, Shida-kun, Nabe-kun, Mina-chan e Arisa-chan viram fazer um intercâmbio de 10 semanas na França e, como parte desse intercâmbio, iam às aulas de japonês. Foram 10 semanas muito divertidas. Disseram que eu tenho muitos "instintos" japoneses, do tipo abaixar a cabeça pra cumprimentar alguém, o jeito de pronunciar as palavras (?) mesmo que o conteúdo esteja todo errado. Na terça-feira retrasada (12/05), a mesma terça depois do Montgolfiades e durante o relatório Formulille, fizemos um jantar em Lille com eles. É muito interessante perceber como a cultura japonesa é diferente da francesa e como ao mesmo tempo eu me sinto hoje identificado com as duas.

---

Fim-de-semana passado foi a viagem de fim de ano do Club TIME, o clube dos estrangeiros da Centrale. Essa viagem é organizada pela nossa simpatica (mais meio paranoica) professora de francês, Mlle Catsiapis. Ano passado, fomos para os castelos da Loire. Esse ano partimos na direção contraria, para o leste francês. Primeira parada: Nancy. A cidade não parece muito grande, e não tem nada de interessante fora a grande praça principal, a Place Stanislas, dita como uma das mais belas praças reais da Europa. Além disso encontramos a Dri, mais uma da iPoli andando por terras francesas, que está estudando em Nancy. Em seguida, fomos jantar em Metz (que parecia uma cidade mais legal, mas sö tivemos tempo de jantar là). Jantar decente, apesar do prato principal (frango com macarrão) estar aquém das expectativas.
O dia seguinte, no entanto, foi bem mais animado! Visita a duas caves de champagne: Moët et Chandon e Mercier. Mais de 20km de túneis subterrâneos lotados de garrafas de champagne! Para fechar com chave de ouro, uma degustação de 3 champagnes diferentes e 18 porções de vàrias coisas "chics", como uma noix de Saint-Jacques marinada, foie gras, etc. Foi também o momento da entrega dos certifcados de francês e do livro feito pelos alunos (com o meu artigo sobre os balões =D). Momentos de emoção.
A parada final da viagem, bem mais deprimente, com metade do ônibus composto de bêbados gritando, foi em Reims, apenas pra visitar a catedral onde foram coroados todos os 3 últimos reis franceses.

---

Segunda passada (o dia seguinte dessa viagem) também foi o dia das 2 provas de recuperação que eu tenho que fazer pra validar tudo na Centrale. Nas duas provas tirei 6, quando a nota mínima é 7. Sacanagem, né? Com Montgolfiades, Formulille, estágio e a viagem na cabeça, não deu pra estudar, então nem fui fazer as provas. Isso significa que deverei repor essas provas ano que vem, no Brasil. Os mesmos motivos me levaram a não ter uma história pra contar sobre Londres, porque acabei também não indo na quinta-feira passada.

---

Formulille. Ele jà tem a estrutura,o sistema de direção e as peças necessárias para montar a suspensão e as rodas. Pode parecer simples, mas foram mais de 100 horas que os meus colegas de projeto ficaram no atelier usiando, soldando, fraisando, taraudando (traduzindo literalmente os nomes dos processos de fabricação do francês porque eu não sei mas os nomes em português)... Digo, "os meus colegas de projeto" porque infelizmente pouco participei nesse processo, culpa do Montgolfiades e também da minha preguiça. Esse será um dos meus grandes arrependimentos desses 2 anos.
Mal acabou o evento dos balões, tínhamos que acabar o mega relatório final do projeto. 82 paginas (escritas e resumidas em 2 dias) mais 123 de anexos. Tudo isso sem contar os arquivos eletrônicos do modelo do carro e das peças em 3D. E eu era o responsável de juntar tudo isso. Resultado: mais noites pouco dormidas.
Nesta terça-feira faremos a apresentação oral final do projeto. Terça-feira às 11h45 é o fim dos compromissos da Centrale pra mim (tirando as provas de recuperação ano que vem no Brasil)!

Ou será que não?

L'avant-dernière ligne droite

Eu tenho a impressão que eu sempre começo meus posts direta ou indiretamente me desculpando pelo atraso... Enfim, vamos ao que interessa:

Parei no 1o. de abril, dia da mentira e da minha entrevista em Montbéliard para um estágio na importante mas desconhecida Faurecia, fabricante de partes de carro. Fora as mais de 8 horas de viagem (ida e volta de Lille) e a localização rural da empresa (na periferia de uma cidade de 5000 habitantes), tudo era perfeito. Montbéliard é vizinha de Souchaux, sede histórica da Peugeot e onde hoje se fabricam o 308 e o 1007 para a Europa. Se vocês olharem no Google Maps, a fábrica é gigantesca! Empresa legal, em plena expansão, um estágio interessante em gestão de projeto, global, contato diário com filiais de 6 países e relativamente bem pago. Do meu ponto de vista, a entrevista correu bem, os caras estavam bem motivados.
2 semanas depois, tudo em vão, não fui selecionado. O pior é que estava tão certo de conseguir esse estágio que tinha parado de procurar por outros. Bom, hora de continuar. Mas quando?

---

O feriado de Páscoa na França (e pelo jeito na Europa) cai na segunda. Eba! Fim-de-semana prolongado. Ainda mais, consegui dar um jeito de sair na sexta, ou seja viagem de 4 dias! O plano, mais nas coxas que na última viagem pela Suíça, era de pegar um carro e ir até Barcelona com Fujii e Nako. E como todo plano de última hora, ajustes de última hora. No final, ficamos só eu e Fujii saindo de C4 de Strasbourg rumo à até onde poderíamos ir em direção à Espanha! Porém, não contávamos com o tempo gasto perdidos em algum lugar (já demoramos uma meia hora pra sair de Strasbourg, depois o tempo de achar um Etap/B&B = hotéis baratos), os flammekeuches de queijo Münster queimados em Colmar ( = umas 2 belas horas de almoço) e as lentas estradas regionais francesas (e ainda por cima levei uma multa por excesso de velocidade! Lamentável!). Além disso, a volta da minha tosse crônica caiu bem durante esse período. Coitado do Fujii que teve que me aguentar tossindo a cada 2 minutos durante toda a viagem!
Finalmente, fizemos o seguinte percurso: Strasbourg - Colmar - Lyon - Gorges de l'Ardèche - Avignon - Montpellier (debaixo de chuva e com uma quase batida de roda) - Viaduc de Millau (sob forte neblina) - Clermont-Ferrand - Besançon - Strasbourg. Foi longe de ser uma viagem otimizada, passamos a maior parte do tempo dentro do C4, o Fujii não passou bem chegando em Strasbourg, mas foi divertido!

---

Enquanto isso, usinagem de tubos, modelização dos triângulos de suspensão em CATIA, os preparativos pro Montgolfiades...

---

Entre os dias 18 e 25 de abril, fui (com Biato, André Bandeira, Portillo, Carlinha, Mari, entre outros) numa viagem organizada pela "atlética" da escola à mais alta estação de ski da Europa, Val Thorens. Como era fim de abril, a estação estava nos seus últimos dias de funcionamento, a neve já não era ideal e em muitos lugares só tinha gelo, ou pior, mal tinha gelo, era rocha exposta. Obviamente, quase não passei por esses lugares.
Eu nunca havia esquiado na vida. E durante a semana inteira eu me perguntava porque a sociedade já gastou uma fortuna nesse "esporte" tão pouco prático e ilógico. Super construções no meio da montanha, complexos imobiliários, teleféricos para 150 pessoas... e não inventaram botas mais confortáveis e equipamentos menos pesados? Tudo isso pra descer uma montanha! Eu ainda prefiro a pé! E como é difícil se levantar no meio de uma descida com os skis! Todas as manhãs eram um sofrimento pra mexer as pernas, braços, pescoço. Meus joelhos quase estouraram, e isso porque eu era o mais cauteloso!
No ski, existem a grosso modo 5 categorias de pista: as verdes são para os completos iniciantes; as azuis são as pistas fáceis; as vermelhas são médias; as pretas são consideradas difíceis; e as hors-piste, que são as pistas não-demarcadas, não-monitoradas, você faz o percurso por sua conta e risco. Dizem que em uma semana muita gente sai do nível "não sei o que é um ski" para "pista azul não tem mais graça". Eu, fast-learner em esportes que sou, demorei 4 dias pra fazer uma azul, ainda tombando nas verdes. Só no último dia eu fiz uma vermelha, mas foi mais medonho e dolorido do que divertido. Na verdade, ainda não aprendi a esquiar, não consigo fazer aquelas viradas estilosas com os dois esquis ao mesmo tempo, eu fico o tempo todo em modo "chasse-neige", que é quando você fica com os pés virados pra dentro. Descer 600m nessa posição destrói os joelhos. Mas, apesar de tudo, foi legal!
Vale registrar também as soirées assistindo os programas de jogos franceses (que aliás são MUITO mais difíceis que um Show do Milhão da vida), jogando Mario Kart/PES/baralho e o jantar raclette (vide fotos Picasa), super pesado mas muito bom!

---

Acabando abril... hora de organizar o voo da imprensa pro Montgolfiades! Mas quem disse que o tempo em Lille ajudaria? Chuva, ventos muito fortes... adia segunda, 30 ligações e e-mails, adia terça, mais 30 ligações e e-mails, e vamos indo até sexta. "Quer saber? Venham na sexta-feira que vem à noite", hora do primeiro voo previsto do evento em si.

Chegamos em maio.

domingo, 3 de maio de 2009

Pra deixar registrado

Provavelmente não postarei nada por aqui até o fim do mês. O grande evento para o qual nos preparamos o ano todo é semana que vem, o final do projeto (relatorios pra escrever, apresentações orais a fazer), o estagio que eu não encontro (preciso conseguir um necessariamente até o fim do mês, mas não tenho tempo pra fazer entrevistas), as recuperações que eu tenho que fazer (provavelmente 2 provas para as quais eu não terei tempo de estudar)...

Marquem minhas palavras: maio de 2009 será o pior mês da minha vida.