domingo, 19 de julho de 2009

Aventuras

Não sei é a monotonia de uma rotina ou o desespero de descarregar vários carpe diems acumulados, mas vez ou outra me vem aquela vontade de partir pra uma aventura louca.

Aos trancos e barrancos, conseguimos fechar eu, Kamisaki, Anderson e Matthieu pra fazer a tão aguardada viagem ao noroeste francês: Rennes, Caen, o Mont Saint Michel, o cemitério americano, Omaha Beach, a cidade fortificada de Saint-Malo.
Muito bem, hotéis reservados de última hora (e ainda durante o feriado prolongado mais importante da França, não foi fácil!), malas prontas, carro alugado (yes, mais uma chance de dirigir na França!)... ou era o que achávamos.
Chegando na agência da National/Citer/Alamo às 8h da manhã de sábado, descobrimos que por "culpa de uma pane no sistema", dizem eles, foram alugados mais carros do que eles tinham, e por isso não tinham mais carros no estoque. Sem palavras para expressar a ira e decepção decorrentes. Ainda me cobraram pelo carro que não recebi, reclamei e agora estou esperando o reembolso...

Enfim, como havia dito, maior feriado da França, então não existiam mais carros para alugar em Paris... em lugar nenhum, sério! Os lugares que sobravam em todos os trens do dia davam pra contar nos dedos e custavam pra mais de 150 euros ida e volta! Momento de desolação.

Mas eis que Kamisaki (aliás, apresentado rapidamente, produteiro de mesmo ano de Poli) propõe uma opção pouco convencional: covoiturage (ou carona solidária, de acordo com o Wikipédia). Fomos no site, achamos alguém que ia pro Oeste (no caso Caen), marcamos hora e lugar e pronto! Fizemos uma viagem de 3h no carro de um completo desconhecido! Na volta, de Rennes pra Paris, foi igual, com outros desconhecidos, no volante e no banco do passageiro. E tudo isso por 32€ ida e volta!
Foi uma viagem louca, íamos para os lugares sem saber como/se conseguiríamos voltar, onde íamos dormir, mas foi uma baita experiência.

Fora isso, o trabalho continua legal, mas às vezes sentado tempo demais na frente do computador, falando inglês como nunca, indo em churrascos da equipe e soirées de estagiários, semi-conduzindo um super projeto de IT Sales. A grande novidade pra próxima semana será o encontro com o meu chefe da Inglaterra que vem pra França, 6 semanas depois de ter começado a trabalhar com ele. Promete ser interessante!

Bom, não estou a fim agora e talvez nem depois pra escrever detalhes da viagem e da semana. Sobre os lugares, só digo que são bem legais, vale a pena visitar, e dêem uma olhada nas fotos do Picasa pra mais informações.

Desculpem a minha preguiça, mas meu cérebro antiquado está tendo dificuldades em acompanhar o ritmo de atualização de tantas ferramentas (blog, MSN, orkut, Facebook, Twitter...). Aliás, proponho que me sigam no twitter para informações mais fresquinhas, é mais fácil d'eu atualizar.

Peace out!

segunda-feira, 6 de julho de 2009

My Everyday

Já? Será que os posts freqüentes deixarão de ser utopia e vão virar realidade? Será, será?

Olhando por cima, meu dias parecem bastante rotineiros, mas de algum modo todo dia é um dia diferente, bem mais do que os agitados e monótonos dias de Lille. Meus horários são relativamente flexíveis, dependendo dos compromissos do dia, a hora de sair de casa variando entre 7h30 e 9h. Mas geralmente saio umas 8h30 de casa pra chegar por volta das 9h no trabalho. Fico a maior parte do tempo no meu canto do openspace, cercado por dois indianos e um francês. São poucas as minhas ferramentas do dia-a-dia: o notebook da empresa (um Dell já meio velhinho, por pouco não pego a nova leva de novos notebooks...) e o seu kit (malinha, carregador, mouse, mouse pad, cabo de Internet), um telefone com um daqueles fones de atendente de telemarketing (muito util pra você não ficar apoiando aquele troço chato no seu ombro por uma hora enquanto está digitando no computador), um caderno (de caligarfia hahaha) e uma caneta. E só. É meio vazia a minha mesa.

Na maior parte do dia estou coisas do tipo MSOffice. Planejamento de projeto, apresentações, atualizando documentos. Embora parece chato, não é (ok, depende um pouco do trabalho), e estou aprendendo muito, coisa que não me acontecia há pelo menos uns... 2 anos?

Hora do almoço. Diria que é a parte que menos mudou em relação à minha rotina escolar. Filas diferentes pra diferentes pratos, varias opções de salada, queijos e sobremesa e milhares de mesas compridas. Almoço todo dia num mega bandejão, um pouco mais caro que o RU de Lille, mas a comida é bem decente. E se o dia está bom, uma voltinha no parque em frente à GE (e é um baita parque, vide fotos do Picasa) faz bem pra digestão.

Como já estou num nível hierárquico relativamente alto, sendo assistente do chefe de projeto, na outra parte do dia participo de reuniões que decidem se o projeto está indo bem, quais são as próximas etapas. Desde a semana passada, por exemplo, eu começo o dia apresentando o plano do projeto e dando as ultimas atualizações (my English is coming back! =D). Enfim, bem trabalho de escritório, mas por enquanto está relativamente dinâmico. Bom.

E o dia acaba entre 17h e 18h30, também depende do dia (torça pra não ter reuniões com o pessoal dos USA!).
Pego o ônibus, passo no mercado no caminho de casa, tiro as roupas sociais, janto um prato pronto de microondas ou um macarrão com... tempero, ou um enlatado. Triste a realidade de cozinhas por andar.

Mesmo morando na periferia da periferia de Paris, os fins-de-semana aqui são bem mais animados do que os de Lille. Talvez porque seja a vontade de conhecer essa vida nova na "cidade grande", ou pelo fato de sermos muitos (muitos mesmo!) brasileiros (de Lille, de Vichy, ou ainda e principalmente da Poli!), cada um em seus cantos durante a semana, querendo se encontrar nos momentos de descanso! Só sei até agora não houve sábados e domingos em branco: soirées em Paris, Fête de la Musique, fogos de artifício no Château de Versailles... semana que vem, feriado prolongado até terça, 14 de julho, festa nacional, se tudo der certo, um passeio às praias do dia D e ao Mont Saint Michel!

Depois adiciono o resto. Fui!

sexta-feira, 3 de julho de 2009

GE imagination at work

Pulando a parte resmungatória onde eu me auto-flagelo por não ter atualizado este blog mais regularmente, vamos ao que possa talvez, em algum instante no tempo, em algum lugar no universo, na mente de algum ser vivo pensante interessar.

Old news, saí do que foi o meu lar por 1 ano e 11 meses, o C108. Foi triste impessoalizar aquele quarto, tirar as fotos e pôsteres da parede. No sentido mais amplo, a Centrale acabou de vez. Cada um foi pro seu canto. Grandes amigos, vizinhos de todo dia virarão espasmódicos posts do Facebook no dia do aniversário de um dos dois.

Still old, fiquei hospedado na pequena casa/sótão do Bruno entre quarta dia 3 e domingo 7 de junho, no coração de Paris, pra procurar apartamento. Resumindo muito a história, achei-o, e é onde eu estou, apesar de ainda não ter certeza de que foi a melhor opção (eu tinha 2 escolhas), basicamente porque me senti enganado por ter que pagar várias taxas extras depois que eu cheguei e não poder fazer várias coisas do tipo hospedar amigos (teoricamente...) ou receber qualquer pacote pelo correio. O lado bom é que eu devo ser uma das pessoas que mora mais perto de onde eu trabalho, fico à 5 minutos da gare de Versailles, de onde sai o ônibus da empresa (mais 15 minutos até o trabalho).

Se você fez as contas direitnho, faz quase um mês que eu estou morando aqui. Mas ainda não me adaptei completamente. Casa nova, burocracia nova! Mudar de agência de banco (sendo que o banco fecha às 17h30 e eu chego do trabalho no mínimo a essa hora, então só posso ir aos sábados de manhã), aprender como funciona a nova máquina de lavar, re-comprar panelas, produtos de limpeza, instalar Internet (esse foi um sofrimento!), etc. Ainda por cima, culpa da lentidão da burocracia francesa, não tenho o aval da Poli pra prolongar a minha estadia aqui, o que é impossível, pois me comprometi com a empresa que ficaria até dezembro, senão não teria estágio!

Enfim, à parte boa da história e o motivo de toda essa confusão, o estágio!

Trabalho na General Electric (GE, pronunciada à inglesa, "/dji-i/" para os íntimos), mais especificamente da divisão Technology Infrastructure, mais precisamente na GE Healthcare, mais precisamente na GEHC IT, mais precisamente no setor IT Sales&Marketing. Deixo pra contar mais detalhes da minha rotina de trabalho depois, mas posso dizer que estou gostando, uma experiência totalmente nova, trabalhar numa megacorporação, e num domínio completamente fora do que eu fiz até agora, informática e vendas no setor médico!

Em termos práticos, ajudo o coordenador do projeto (detalhes sobre o projeto também explico depois, é meio complicado) a planejar (Excel), documentar (Word) e apresentar (Powerpoint) a fase final do projeto, pra ser validada antes da entrega aos usuários finais, e depois o treinamento e suporte do programa em outubro. Muita burocracia, muitas siglas (um exemplo, pra fazer um FCCC eu preciso contatar a equipe BA CoE, CM, PST e EIM e rodar no POC antes das sessões TTT), mas muito contato com gente do mundo inteiro! Nunca encontrei meu chefe e coordenador do projeto pessoalmente porque ele trabalha na Inglaterra. Falo com ele todo dia por conferência. Além disso, tenho contato com gente de Singapura, Coréia, Dubai, China, Índia, Austrália sem contar com os indianos, russos, chineses e holandeses que trabalham no mesmo espaço que eu. Francês é minoria no departamento. E lógico, a língua de trabalho é o inglês. Não fosse o restaurante padrão francês da empresa, nem parece que eu estou na França lá dentro.

Bom, mas por enquanto não tenho muito trabalho. Estagiário aqui não é como o estereótipo brasileiro, que serve café, faz só tarefa chata e sempre tá ocupado. Por enquanto, meus dias estão bem tranquilos (isso está mudando, mas ainda sim) e todos me tratam como se eu fosse um empregado. Me pedem pra fazer tarefas tanto quanto eu peço para os outros realizarem tal ação para tal dia. Me sinto bem aqui.

Outra observação sobre a GE, eles são os verdadeiros mestres da ideia de identidade com a cultura da empresa. Na primeira semana recebi tanta informação e tantos incentivos para seguir o espírito da empresa que realmente me sinto identificado com a GE e estou adorando poder trabalhar aqui. Uma verdadeira lavagem cerebral.
Falando nisso, eles lançaram uma propaganda nos EUA mostrando locomotivas do Brasil!
Aqui: http://www.youtube.com/watch?v=TdsRSs5ehkk

Tanta coisa pra contar, mas o post vai ficar muito grande. Por favor, sugiram-me tópicos pra eu comentar nos próximos posts.

Até!