Ô viagem maluca!
Difícil resumir uma viagem de 10 dias num país totalmente incógnito para 99% das pessoas do mundo! Bom, talvez não tanto.
Dia sim, dia não, ficávamos trancados num hotel no centro de Baku, capital do Azerbaijão, discutindo e traduzindo do inglês pro português provas... de biologia! Obrigado, Google, pela sabedoria sobre os trofoblastos. Uma rotina de trabalho das 9h às 3h do dia seguinte.
Nos dias de folgas, pequenos tours ao redor de Baku e muitas coisas aprendidas sobre o Azerbaijão, como por exemplo:
- O Azerbaijão vive de gás petróleo, o próprio nome do país pode ser traduzido com a "terra do fogo", já que desde o século I existem relatos de fogo "saindo" pelas montanhas, devido ao gás que sai lentamente da terra.
- Foi lá que o primeiro poço de excavação de petróleo do mundo foi perfurado, no fim do século 19. Houve uma época em que o Azerbaijão era o maior produtor de petróleo do mundo, produzindo o dobro dos EUA.
- Enquanto a maioria da população é muçulmana, é um país de grande tolerância religiosa. É um dos únicos lugares no mundo onde não-praticantes podem entrar e tirar fotos de dentro de mesquitas.
- Baku é uma cidade em plena reconstrução: antigos e cinzentos prédios soviéticos estão dando lugar a mega arranha-céus, shoppings e parques que não perdem para as melhores cidades européias. Porém, os poços de petróleo e a poeira por todo lugar não dão uma boa impressão em termos de limpeza urbana... todos os carros (excetos os lavados ontem) tem uma faixa de terra ao longo da carroceria até a altura do pneu.
- Como muitos países petrolíferos, vê-se uma enorme diferença social, refletida nos modelos dos carros: tem mais BMW e Mercedes que na Alemanha, e são todas SUVs. Ao mesmo tempo, 50% dos carros são Lada. Porém, durante esses 10 dias, não percebi nenhum caso de violência ou mendigos na rua. Só mesmo o fato de eu ter perdido meu celular e pen drive lá...
- Os irmãos Nobel (os suecos do prêmio) viveram boa parte da vida lá e se enriqueceram com o dinheiro do petróleo azeri. Diz-se que 30% do dinheiro entregue todos os anos aos premiados vem do petróleo do Azerbaijão.
- O povo é super receptivo, apesar de muito poucos falarem inglês. Descobri que se você sabe alguma coisa de turco, você consegue se virar em quase todos os "ão" daquela região! Até no noroeste da China! Herança do império turco-otomano.
Somas-se tudo isso às diversas pessoas de uns 50 países que estavam lá. É bem legal conhecer gente de culturas diferentes! O único revés é que eu tinha que explicar a cada um que eu encontrava que eu era brasileiro.
Um diálogo típico: "...É sério, é que meus avós eram japoneses... dos dois lados da família... mas existem muitos descendentes de japoneses no Brasil (1,5mi)...". E depois pra explicar que Allison não é nome de mulher no Brasil...
Boas lembranças do Azerbaijão. Quero voltar pra lá algum dia...
Next (and last) stop: 21h30 em Paris antes de voltar à São Paulo!
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
Baku, IJSO 2009
às
21:02
Tags: azerbaijão, baku, ijso
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