terça-feira, 5 de agosto de 2008

Um mês depois...

Muita coisa aconteceu. Estou aproveitando esse dia que eu me dei de descanso pra resumir as ultimas noticias.

Primeiro, viagem com papai, mamãe e irmã correu tudo bem, tudo dentro da margem prevista de gastos, passeios e dor nas pernas, tirando talvez uma injusta multa de pedágio, mas tudo bem. Sem muito o que comentar, assuntos pessoais, o importante é que no final todo mundo gostou da viagem!

Em seguida, a viagem pro Japão. Num tive muito tempo pra arrumar as malas e tava super cansado mas até agora não tem nada em especial que eu ache que tenha esquecido... acho que estou me acostumando a fazer malas pra viagem. O voo foi tranquilo, apesar de estranhamente meia hora atrasado, considerando que era um voo de companhia japonesa. O mais engraçado é que eles já tem um portão de embarque especifico no aeroporto de Paris, e as mensagens de aviso do tipo "embarque em 30 minutos no portão 12" eram faladas só em japonês! Pro pessoal já se sentir no Japão... ou no Brasil, porque havia muitos brasileiros no voo: sentaram 3 do meu lado, 3 na minha frente e mais uns 6 alguns assentos atrás de mim.

Bom, enfim, miraculosamente consegui pegar todos os trens certos e no horário de Narita até Matsumoto, onde eu dormi uma noite antes de ir pra Hakuba. Deu tempo só de dar uma passadinha em frente ao castelo de lá. O que mais me surpreendeu até agora foi o céu, que é menos azul não sei porque, e o calor umido, que deixa o ar aqui pesado e sufocante.

Cheguei em Hakuba, cidade montanhosa, super famosa pelas estações de ski (sediou muitas das provas dos jogos de inverno de Nagano 1998) cheia de chalezinhos estilo europeu. São os alpes japoneses, ou a Campos do Jordão do Japão. Até o meu novo lar temporário foram 45 minutos de subida à pé com uma mala de 25kg na mão e outra de 10 nas costas sob o sol de meio-dia e 35°C, o que explica a camisa suada das fotos.

A casa (que era ao mesmo tempo um albergue, na verdade) era bem confortável, apesar de desorganizada: a cozinha era cheia de latas de cerveja e brinquedos pelo chão (eles têm 2 filhos pequenos, a mais nova hiperfofinha e o mais velho uma das crianças mais pentelhas que eu já conheci).

Bom, tcho resumir melhor porque isso tá virando novela: os 2 primeiros dias foram tranqüilos, os donos foram supergentis e etc, mas a partir do terceiro dia até o ultimo que eu fiquei lá eles ficaram cada vez mais ranzinzas até eu não aguentar mais as agressões (verbais, e uma vez física, mas não aquela coisa que deixou cicatriz nem nada, soh uma pratada na barriga) e humilhações que eu sofria e decidir ir embora.

Trabalhava geralmente entre as 10h30 e as 15 horas (e 2 vezes também entre as 18h e as 21h30) todos os dias incluindo sábado e domingo fazendo todo tipo de trabalho: lavando louça, servindo e arrumando as mesas do restaurante, arrumando a casa, limpando quartos e banheiros, empilhando pedaços de madeira pro inverno, cortando a grama do quintal com uma maquininha parecida com um barbeador, entre outros. Tudo isso sem esperar ganhar um tostão no final, apenas o direito de dormir e comer. Confesso que na maior parte do tempo o trabalho não era extasiante, e as refeições apesar de não serem fartas eram relativamente boas. Eu até aceitaria tudo isso não fossem as provocações e insultos verbais que eu sofria nesse período e que me deixavam extremamente estressado durante o dia inteiro.

Enfim, cheguei num sábado e fui embora no domingo seguinte, meio que de repente mesmo. Peguei o primeiro trem que saía de Hakuba em direção à Kyoto, onde eu estou agora. Estou num albergue baratinho, limpo, mas meio medonho, daqueles que você tem certeza que a fiscalização vai fechar se um dia eles passarem aqui. Mas eu tenho Internet ilimitada, e isso é um bom avanço!

Agora vou tentar aproveitar o tempo por aqui, passeando mesmo, conhecendo novas pessoas com o mínimo de gastos possível. To num dormitório com um americano e um canadense super legais, o que tá ressuscitando meu inglês, tem uns colegas de Lille pra não me esquecer do francês, e todo o resto do mundo à minha volta é em japonês! Voilà uma verdadeira imersão cultural e lingüistica!

O meu único (mas considerável) problema é a possibilidade latente de eu ser deportado do Japão, uma vez que não estou seguindo mais o itinerário previsto e graças ao qual me deram o visto. Além disso, meus responsáveis no Japão, a família de Hakuba, me odeiam (é recíproco), podem prestar queixa ao serviço de imigração e posso até virar procurado pela polícia. Que encrenca, né? Eu definitivamente não tenho sorte com familles d'accueil (relembrando o saudoso caso de Mme. Sarron em Vichy, coincidentemente há exato 1 ano atràs).

Mas quem esperava que esse duplo diploma desse tantas aventuras, hein?

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