Muita coisa acontecendo e pouco tempo pra escrever, essa é minha desculpa por não estar postando tão freqüentemente... Bom, onde eu estava mesmo?
Ah, sim, a semana de provas. É aquela coisa de sempre: acabo deixando tudo pra véspera, não estudo o tanto que poderia (ou melhor, deveria) e, passado o sufoco, fica a expectativa : deu pra passar? Dessa vez em especial foi matemática, que prova trágica! Bom, descobrirei a resposta em breve...
Nem dê tempo pra respirar: minutos depois de entregar a última prova da semana, peguei carona em um carro e fui direto pro Parc du Héron. Estavam começando as (os?) XXèmes Montgolfiades Centrale Lille. Um fim-de-semana maluco montando e desmontando stands, preparando mesas, limpando pratos, vigiando criancinhas, seguindo balões de carro por Lille, fazendo social com patrocinadores, e tudo isso dormindo das 2h às 4h da manhã.
No meio disso tudo, ainda deu tempo de voar sobre Villeneuve d'Ascq. Não tinha muito vento quando eu voei, teve inclusive uma hora em que o balão literalmente parou de se mexer quando estava em cima de um prédio, ou seja, não passei por muitas paisagens... Mas mesmo assim é uma experiência incrível! Você flutua na altura ideal: mais alto que um prédio, mas mais baixo e bem menos veloz que um avião, ou seja, um ponto de vista em que você vê além do horizonte ao mesmo tempo que você consegue enxergar as feições de curiosidade das pessoas que te acenam lá embaixo. Normalmente, esse passeio custa 170€, mas para nós foi de graça. Foi a recompensa após quase um ano de (não muito) trabalho.
Pouco trabalho nesse ano, porque ano que vem (desde agora, na verdade) as coisas só vão "piorar". Semana passada fui eleito presidente dessa associação, ou seja, virei o responsável pela organização dos (das?) XXIèmes Montgolfiades ano que vem. Que loucura! Acabei de aprender francês e já tenho que marcar reuniões com a prefeitura, pilotos, chorar dinheiro pra patrocinadores (o orçamento tá apertado ainda por cima!), dividir tarefas aos meus (por enquanto) 5 subordinados e garantir que todos os milhares de fatores envolvidos estejam corretos até o ano que vem! Ai ai, que abacaxi eu peguei!
Quase esqueci da historia do furgão sem carteira. Foi o seguinte: durante o evento, estávamos precisando do furgão do BDE (mais ou menos como o grêmio da escola), que estava em outro evento (Lille aux Echecs, tb organizado por alunos, mas no centro de Lille - e que teve bem menos público, diga-se de passagem =P), e eu era o único com carteira além do presidente e da tesoureira, que não podiam sair do local. "Deixa comigo", disse eu, nervoso com a chance de poder voltar a dirigir depois de mais de 10 meses sem pegar no volante. Fui até lá, peguei o furgão (que não é difícil de dirigir, apenas a noção de espaço tem que ser maior) e fui seguindo as placas até o parque. No meio do caminho, eu tive que passar por uma estrada, então, nada de anormal passar de 110km/h. Foi super tranqüilo, entreguei o furgão direitinho, etc. Só tinha esquecido o fato de verificar que estava com a minha carteira de motorista (com a qual eu jurava estar). Fato é que ela estava em casa, logo tinha dirigido sem carteira. Lição do dia: sempre verifique que você está com a carteira de motorista. Enfim, depois ainda dirigi um Twingo por alguns quilômetros (com carteira, dessa vez). Nossa, que saudades de dirigir!
De volta à rotina centraliana. To ficando mestre em transmissão de carro de tanto estudar pro projeto! Com certeza essa é a 'matéria' que eu mais estudei na Centrale, tirando Viagens I II e III. Me pergunte qualquer coisa sobre junta homocinética ou pontos turísticos de Budapest que eu devo saber responder! Além disso, peguei um projeto pessoal (mais uma das matérias 'pipo' daqui) cujo objetivo é melhorar o nível de informações entre as Centrales e seus parceiros mundiais, principalmente para os alunos = mais trabalho.
Pelo menos uma coisa boa é que estou achando as matérias que eu estou tendo agora mais legais, e me convenço cada vez que são os professores que fazem a diferença. Transferts thermiques é uma matéria meio bizarra, mas o professor é bem legal (pena q tem lição de casa... pra amanhã!), as aulas de Construction Mécanique estão mais praticas e os laboratórios de Science des Matériaux são bem interessantes e didaticamente muito bem organizados .
Bom, como deu pra ver, tenho muita coisa pra fazer, então vou parar por aqui hoje. Mas ainda falta contar a viagem aos castelos de la Loire, que foi no ultimo fim-de-semana, com direito a um jantar exclusivo no famoso castelo da 'Caras'! Como assim?!? Fotos em breve!
quinta-feira, 22 de maio de 2008
Ch. 28: on travaille, on travaille...
Tags: montgolfiades
sexta-feira, 9 de maio de 2008
Ch.27: férias e calor
Vamos então ao resumo das ultimas semanas. Primeira parte: a viagem à Europa Central. Partimos eu, Aldo, Bruno e Eliana (prima do Bruno) de Bruxelas rumo a Praga!
Primeira experiência de avião low-cost: sem problemas, bem melhor do que eu esperava, só a pressurização da cabine que não funcionou direito e fiquei meio surdo por umas horas... A cidade é muito bonita, daquelas que você anda sem rumo pelo centro e acha um prédio/igreja/teatro bacana a cada esquina. Impressionante! Os preços, por outro lado, deixaram um pouco a desejar. Comida custava tão caro quanto na França (e pior, em "czech money" - até hoje não sei como é o nome da moeda deles - ou seja, acrescenta aí uma taxa de conversão), além do que tivemos um triste contratempo com o metrô.
Tudo começou quando queríamos comprar a passagem de trem para Bratislava e não conseguíamos chegar na estação de trem a pé, só de metrô ou carro. (detalhe importante: Praga, assim como as capitais por onde a gente passou, é uma cidade mais "urbana" que Paris, Roma, etc., quer dizer, pedestre não tem muita vez, os acessos pra pedestre são tão bons quanto em São Paulo...). Pegamos então o metrô por uma estação, descobrimos que era a estação errada mas deu pra comprar o bilhete mesmo assim e íamos voltar pro albergue.
Ora, já tínhamos dado tanto dinheiro pra esse metrô que não custava fazer 2 estações 'por conta da casa'. Sim, eu sei, isso é feio, errado e pagamos caro por isso. Ah, sim, importante dizer que aqui não tem catraca pra entrar no metrô, tem uma maquininha onde vc coloca o seu bilhete pra marcar o horário que vc vai usar. Logo, vai da sua vontade vc registrar o seu bilhete ou não. Só que vc está sempre sujeito a ser controlado, ou seja, aparecer um cara no metrô pra verificar se vc registrou o seu bilhete direitinho ou não.
Bom, deu pra entender o que aconteceu, né? Multa de 28 €. Ai. Pelo menos essa multa dava direito a andar livremente no metrô por aquele dia, então saímos pra dar uma volta, só de revolta mesmo, até o metrô fechar às 0h.
Tirando isso, o albergue era bem bom pelo preço dele e conhecemos pessoas bem legais, como uma japonesa que se demitiu do trabalho e tava viajando sozinha pela Europa por 6 semanas! Que loucura!
Próxima parada, Bratislava. Num posso dizer muito sobre a cidade porque ficamos muito pouco tempo por lá, mas ela era barata ("slovak money" rules!). Também não demos sorte com o tempo, choveu durante as 16horas que a gente ficou por lá.
De Viena ficou na memória as paisagens 'magnifiques', o albergue com chuveiro do lado do microondas, altos papos filosóficos sobre as injustiças do mundo e 2 espetáculos (uma ópera e um balé) por 2€ cada na ópera de Viena! Se perdemos dinheiro no metrô de Praga, os lugares em pé na ópera foram o melhor negocio da viagem! Assistir ao balé de Tchaikovski com direito à "Lago dos Cisnes" numa das óperas mais importantes do mundo foi mais uma daquelas experiências que eu nunca esperava ter na vida e que de repente apareceu e eu vivi! Nessa mesma ópera encontramos também a turma da Stephanie, do Anderson e do Eric de Lyon (vraiment désolé por não lembrar o nome de todo mundo nesse momento!), a alguns lugares de distância!
Tcho dar uma resumida que tá ficando longo: em seguida, Sopron, pequena cidade húngara na fronteira com a Austria, lar do nosso colega de centrale Marcell, pelo qual tenho que agradecer pela ótima recepção, visita pela cidade, historias, goulash, traubisoda e pelos muitos quitutes! Finalmente, Budapest! Cidade enorme, muito maior que as outras que a gente visitou! Dessa vez tenho que agradecer meu frère d'accueil Máté pelo tour pela cidade e por apresentar as comidas típicas da Hungria (turorudi e comida chinesa!!), sem esquecer do jantar num 'all you can eat AND drink' com direito a champagne, carne de tubarão e muitas outras coisas que eu nem sei o nome! Um último, mas não menos importante reencontro dessa viagem foi com o grande compatriota centralien Bernardo, no aeroporto, logo antes de partir de volta pra casa. Foi reconfortante saber que todos nós vemos que nossas écoles tem a mesma... média.
Bom, essa foi a viagem à Europa Central. Voltando à Lille, surpresa: estava ainda mais quente do que quando havíamos saído, cenário que não mudou até hoje! Agora, todo dia meu termômetro passa da escala (que vai até 52°C). Tudo bem que é porque o sol bate direto nele, mas mesmo assim é um calor não-desprezível! Pra aproveitar esse tempo, temos saído pra tomar um banho de sol, andar pelo parque que tem aqui perto, enfim, desfrutar da qualidade de vida francesa!
Por outro lado, a école não pára, ou seja, voltando da viagem, me restava apenas uma semana pra estudar pra 4 provas, entre elas as temidas Mathématiques. Ao mesmo tempo, estava chegando o Montgolfiades, o evento de balonismo no qual eu estava ajudando a preparar e que começava no fim de semana logo depois das provas. Foi uma semana tensa... Mas isso eu vou deixar pra contar num próximo post.
Tags: bratislava, budapest, praga, sopron, viena
terça-feira, 6 de maio de 2008
Ch. 26: preâmbulo do 27
Não foi por falta de assunto que não escrevo faz algum tempo, muito pelo contrário! As coisas andaram agitadas nessas últimas semanas. Como "essas últimas semanas" ainda não acabaram completamente, vou deixar pra registrar com mais detalhes essa retrospectiva num futuro próximo, sendo próximo um período maior ou igual a 3 dias e sem limite superior (ora, é a minha definição! - muito afetado por matemática). Em pauta:
- O aquecimento global: porque no norte da França, por definição, não faz mais de 30°C. Logo, algo está errado.
- A viagem à Europa Central: Praga, Bratislava, Viena, Sopron e Budapest. Encontros e desencontros, Bruno, Aldo, Eliana e talvez alguém na vida real...
- A primavera: pétalas róseas valsando pelo ar, coisas que você só vê em filme, ao vivo no campus Lille I.
- A trágica semana de provas e como eu devo sofrer no final do ano.
- O ar: tem sido um bom companheiro ultimamente. Me refrescou, me levou até Praga, me trouxe de volta de Budapest e só perdeu o fôlego uma vez, quando voei de balão sexta-feira passada.
- Les Montgolfiades Centrale Lille: como 13 estudantes conseguiram reunir mais de 30 mil pessoas e organizar o que se tornou o evento do ano na região? Como carregar mais de 2 toneladas de equipamento em 3 dias dormindo 2 horas por noite sem jantar? Como dar bronca em criança em francês? Como voltar a dirigir depois de 11 meses começando por um furgão, andando na rodovia a 110km/h e sem carteira de motorista?
Bom, voilà, cenas do próximo capítulo.
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